quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Marinalva e Sisominn

Todo domingo Marinalva repete a rotina. Se não fizer tudo igual, fica chata, que nem criança birrenta.
Então, para aproveitar o tempo de sol em sua vida, levanta às 6,00 h da manhã e vai correndo olhar as Três Marias. Adora olhar para a imensidão do céu e admirar uma das poucas constelações que conhece, Órion.
Toma café, banho, cuida da Loli e vai caminhar no parque com sua filha de quatro patas. Isso de tratar cachorro como gente, Nalva não dá a mínima, sabe que tem sua filha Cristalina.
Vai ao cinema, senta e até tira uma soneca! Depois faz compras no supermercado. Pois não é que assim estava escrito que naquela tarde, naquele segundo, encontraria o Sisominn? Considerou aquilo verdadeira fatalidade. Encontrar logo quem!
Sente-se desconfortável, quando precisa admitir que existem pessoas a quem ela nunca vai agradar. Desta vez Nalva teve certeza:  é odiada por Sisominn! E aí! Fazer o que? 
- Eu já te disse, precisas desistir de querer agradar a essas pessoas! Eles nunca ficarão satisfeitos contigo!
- Pois é senhora, minha Outra, que sabe tudo! Por esta não esperavas não é mesmo?
- Oi, o que estás fazendo aqui fantasiada de motoqueira?
Marinalva ouve aquilo! Todas aquelas dublês de corpo que viviam dentro dela fogem! Saem voando! Não dão apoio! Fica sozinha no meio do tiroteio, de óculos, com os cabelos da amiga da Luluzinha - a Aninha - olhar estatelado e boca aberta!
- Oi, o que estás fazendo aqui fantasiada de motoqueira?
 As outras fogem, que nem um bando de pombas. A última volta a cabeça para trás e diz:
- Aí Nalva, responde  alguma coisa!
Como um pensamento de tormenta,  ainda tem tempo para refletir:
- Mas será que nem sequer tenho o direito de vir fazer compras no super?
De longe a outra sopra.
- Não é bem isso Nalva!
Ainda de boca aberta, permanece sozinha, de fato quem fica ali é Nalva-Bozó:
- Ah é heim? Ah é é???
- Vamos responde alguma coisa! 
Sisominn permane olhando para Nalva com muitos olhos, seriam quatro? ou cinco?
-  Pois é, coloquei esta roupa de motoqueira para te encontrar, para vir falar contigo! 
Nalva pensa coisas e palavras que não revela para ninguém, como as outras tinham ido embora, ninguém fica sabendo...
- Maninha, a minha saída foi piedosamente fraquinha, não é mesmo?
De repente, todas voltam correndo e se instalam em sua mente para palpitar.
- Esquece Nalvinha, ele é muito pequeno, não vale o esforço!
- É isso mesmo, irmãzinha, mesmo que estivesses uma palhacinha, ele não paga as tuas contas!
- Pois é amiga, podes crer, de hoje em diante, vamos mandar para ele aquele teu pensamento  forte, capaz de "derrubar brigadiano"! (risos) E ele vai terminar gravando todos os arquivos do Notebook em "argot e verlain", entenderam? Se não entenderam procurem na Wikipédia!
- Entendi - responde a Gêmea - quer dizer que os arquivos com final pdf vão se transformar em fdp!
- Estás ficando esperta irmãzinha!





terça-feira, 26 de agosto de 2014

Marinalva ou Malva-Negri

Era Malva-Negri? Sim, era Malva-Negri, a mais raivosa, mãe de Marinalva. Aquela do tempo da ditadura! Ah, sim? E o que aprontou a Malva-Negri quando saiu de dentro da Marinalva? Ou foi o contrário?
Escute só: Malva-Negri deixou o ex no aeroporto, desceu a rampa, aproximou-se daquela estrada secundária para dar o retorno, quando ele surgiu, do nada!
- Ele quem?
- Ele, o policial, o brigadiano, a ôtoridade!
Mas como? Malva-Negri não pode olhar! Começa a babar! A pressão deve ir a 24X22. Será?
- Calma Malva-Negri, o que houve?
- Ele chegou de repente, não mais que de repente, deslizou na moto,  na frente de todos os carros. Imediatamente ordenou que parassem! Caminhou com as pernas abertas, revólver na coxa direita, camuflado, de capacete cobrindo o rosto, se achando o tal!
- Ha! Deve ter sido com esse uniforme  que a Dilma gastou, na Copa!
- Acho que sim…
A fila foi aumentando, ele continuava lá, de pernas abertas, a AU-TO-RI-DA-DE!
Malva-Negri voou, chegou a enxergar o Transformer de Michael Bay pegando o policial pelo cangote, jogando-o muito longe! Depois, veio aquele pássaro de lata de Avatar, pendurou o camuflado pelo pescoço, sacudiu a cabeça para os lados e o estraçalhou! Não sobrou nada!
Para contrariar Malva-Negri, o policial permanecia no mesmo lugar, imóvel.
- Na sequência, ela chegou a ver Tom Cruise saindo de Missão Impossível, voando na moto, roubando o infeliz, de quem somente se viu uma sombra camuflada que usava botas!
Seis enormes carros cinzas deslizantes e brilhantes passaram. Ah!  aquela sombra negra  era uma ES-COL-TA! E ainda por cima a comitiva tinha uma camioneta Samu! Pode?
- Quem estaria incógnito dentro daqueles carros?
- Estelionatários! Responde a Gêmea.
- Tu sabes o que quer dizer estelionatário?
- Mais ou menos… Mas boa coisa eles não eram!
- Sei, eram da turma do Maluf! Intromete-se A que Mora Dentro Dela.
- Não! Devem ser um bando de milicos, quem sabe?
- Cala essa boca. Diz A Intolerância Zero. 
BUZINADAS!!!
- Acorda Malva-Negri! A estrada está livre, não tem mais ninguém!
- Será, meus sonhos se realizaram e eu nem percebi?
- Pode ser maninha… continua sonhando…
Abre os olhos, o sol inclemente deixa tudo muito claro! Na frente ninguém, apenas ela, Malva-Negri, atrapalha o trânsito.
Com muito esforço, arranca, cantando pneu, e cai no imenso engarrafamento!