Marinalva sempre teve vocação para mãe adotiva.
Incauta, sente florescer o amor materno por criancinhas que possuem suas
mãezinhas. Ela sabe que alguma coisa está fora dos trilhos...
Pois não é que aquele dia, o som do alarme de
emergência soou no telefone de um dos
três filhinhos - adotivos na imaginação
de Marinalva-, Porthus, Athos e Aramis.
Porthus grudou o ouvido no seu IPhone, quando ouviu
vozes masculinas:
- Pode deixar,
vou apertar bem com está corda para ela não se soltar!
- Deus, é da casa da mamãe Nalva! Minha mãezinha está
sendo sequestrada! Preciso avisar os manos!
Antes, correu
para a casa da MamiNal. Chegando lá, viu uma coisa terrível que o arrasou, a mãezinha
estava sendo amarrada numa cadeira - igualzinho à mãe do Norman Bates - ele só
teve tempo de ver o bracinho enrugadinho que sumiu entre os dois panos da
cortina...
Pé por pé embaixo do sol escaldante, Porthus bateu a
campainha e se escondeu em um dos lados da casa. Ligou para Athos e Aramis:
- O que? Nossa MamiNal sequestrada? Maninhos, um por
todos, todos por um! Vamos salvar nossa mãezinha!
Correram para a casa de Nalva, não sem antes
conseguir espingardas e um 38 com um amigo policial!
Porthus- Onde vocês conseguiram esse armamento?
Aramis - Com nosso amigo Gui.
Porthus- Ah , pelo menos ele serve para alguma coisa!
Marchando e cantando o “Hino dos Pracinhas”, que
tinha aprendido com o tio Cici, os três
se plantaram na frente da casa!
Você lembra dos filmes de Gary Cooper, John Wayne e
Clint Eastwood? Pois é, a cena era igual, um verdadeiro duelo entre os três
heróis e os bandoleiros mexicanos!
Os três gritam em coro!
- Saiam com as mãos para cima! Vocês estão cercados!
Passaram-se os minutos, ninguém saiu pela porta da
frente, muito menos pela dos fundos...
- Ai Mano, será que aconteceu alguma coisa com nossa
mãezinha?
De repente, ouve-se o som esganiçado do carro bege da
polícia. O próprio Gui, agora promovido a alto cargo, estava ali para salvar
sua amiga Marinalva!
Silêncio.
Passaram-se dez minutos, ansiosos eles veem a cortina
se mexer! É ela, é a mãezinha abrindo a cortina!
Gui permanece com a arma apontada para a porta da
frente da casa, os três mosqueteiros fazem o mesmo! O suspense é insuportável!
A porta se abre, pequenina, com sua sainha comprida,
de nylon, blusinha Volta ao Mundo, lá está ela, a Mami, coisa mais fofa! E o melhor, está
inteirinha! Mas o que aconteceu?
Marinalva- Porthus, Aramis, Athos! O que vocês estão
fazendo aí! Com essas armas apontando para mim? Eu não disse para não tocarem
em armas? Será que vocês não aprenderam?
Porthus, Aramis e Athos em coro- Mas Mami, tu não
foste sequestrada?
Marinalva- Claro que não! Que história é essa? Aqui
estava somente o meu amigo Daniel, o pintor, e ele já foi embora!
Os três se olharam e disseram em voz alta!
- Essa não Mami, e agora?
Marinalva – Agora vou dar uma palmada na bunda de
cada um para não aprontarem outra vez! Pensando bem... não vou dar não! Venham
meus filhinhos vamos tomar um cafezinho com o melhor bolo de milho que eu mesma
fiz para vocês!