Marinalva não sabe quando começou a gostar de relógios. Quem sabe, foi
aquele dia em completou algumas dezenas de anos no dia de seu
aniversário? Pensou que precisava sentir o tempo passar. Colocou um
relógio em cada cômodo da casa. À noite não conseguia dormir, com tantos
tique-taques descompassados. Tirou o relógio do quarto. Tirou o relógio
do escritório. Colocou o celular para despertar.
Aí ouviu a vizinha matraquear.
-Marinalva! Ouvi teu relógio despertar! Porque acordas tão cedo? Onde colocas o despertador?
A outra para quem Nalvinha contou a história disse:
- Deverias ter dito que estás procurando saber onde ela dorme para colocar o despertador bem embaixo!
Marinalva ficou mortificada e muito chateada com a vizinha. Fez que nem o Bozó:
- Hah é é? Hah é é?
Achou um desaforo, não disse nada.
Saiu à procura de relógios silenciosos, que não fazem tique taque.
Encontrou um, adorou. O relógio vem apoiado em uma mola e vai para lá e
para cá. Colocou na mesa de cabeceira.
De manhã ele desperta. Sonolenta, a mão de Marinalva não acerta "uma" no
escuro! Derruba o relógio! Na cabeça da vizinha! Credo ela deve ter
acordado! Putzgrila!
Os tombos se repetem... Um dia a mente de Nalvinha ganha um raio de luz. Pensa:
-Na falta de marido, o relógio pode ficar embaixo das cobertas, não cai da cama, não faz barulho e muito menos tique-taque!
E o relógio feliz da vida, toda noite fica bem tapado pelas cobertas, enfrentando o inverno do Portinho. Nalvinha teve outra ideia
genial, colocou um travesseirinho embaixo do relógio! Que mais ele quer?
Vida boa não é mesmo?