segunda-feira, 1 de junho de 2015

O Pianista


 Marinalva chegou cedo na rodoviária. Não poderia ser diferente, filha do Onilibri...

Comprou passagens e sentou num banco perto do piano. Pensou  que tinha 15 minutos sem fazer nada.
O desconhecido chegou, não era alto, porte médio e cabelo curto. Sentou-se   ao piano:
- Ai, ai, ai, não quero nem ouvir, Deus meu!
-Pensando bem... Ele tem uma certa intimidade com o instrumento...
O homem iniciou dedilhando notas graves, no lado esquerdo.
Naquela hora e naquele minuto, o mundo mudou!  A rodoviária transformou-se num lugar emocionante!
- Deus, e eu  aqui, vivendo um momento sublime! Como ele toca bem!
O pianista movimentava mãos e dedos com perícia de verdadeiro artista:
As pessoas pararam, viraram estátuas,  o brigadiano estatelou. Marinalva não aguentou a dor da emoção na garganta... Chorou:
- Mas porque? Meu Deus? Eu choro porque? Por não conseguir dividir este momento com ninguém?
Ele para, de mãos vazias como entrou, levanta e vai embora.
Marinalva olha o relógio:
- Passaram-se 5 minutos! Viram só as surpresas que podemos encontrar na rodo?
- Amanhã quem sabe alguém  aceita meu convite para tomar um café na estação. Viram só o que o destino pode reservar para cada um de nós?
- E vocês irmãzinhas que vivem dentro de mim, porque estão tão caladas?
As 17 respondem em coro, secando  lágrimas e fingindo que não houve nada:
- Pera aí Nalvinha, nóis temos indo!

            

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