Marinalva nunca esqueceu aquela manhã fatídica. Estava muito nervosa, precisava pegar um vôo com o cachorro mais lindo do mundo, o Zapata do Arari!
O bicho tinha o pelo azul ruano e enormes olhos tristes. Marinalva tinha certeza que ele era gente e que de tão bonito tinha um pouquinho de depressão.
O fato é que Zapatinha precisava ser anestesiado para poder viajar como carga viva!
Marinalva ficava mortificada com a terminologia!
- Como podem classificar meu Zapatinha como carga viva? Acho o supremo desrespeito! E eles ainda esquecem de ligar o ar para o meu Mimoso!
- Minha senhora, não adianta insistir, ninguém aqui no aeroporto pode dar a injeção no seu cachorro, a senhora mesmo terá que fazê-lo!
- Meu Deus! E agora? Vou ter que dar injeção no Mimoso!!
Um terremoto começa a se formar dentro de nossa heroína, tudo tem início no centro do corpo, mais ou menos na altura do umbigo! A mão começa a tremer e agir por conta própria!
Marinalva pega a seringa, enche com o líquido anestésico, com a mão esquerda pega a pele solta do bicho e crava a agulha com vontade. Imediatamente a hastezinha de aço atravessa pelo, pele e enterra-se no dedo de Nalvinha!
- Epa, aaai! Que dor! Não acredito! Piquei meu próprio dedo!
-É Nalvinha, já vi muitas patetices na vida, mas esta bateu recordes!
- Pois é né? E agora? O que farei agora?
- Espera pra ver no que vai dar...
O avião aterrisa, Marinalva aguarda minutos intermináveis.... Dois meses depois... lá vem ele sacudindo o rabinho! Mas como? A caixa de guardar Ararinho tem um énorme rombo e está solto!!
-Pois é minha senhora, o seu cachorro comeu a caixa e saiu por aí andando!
- Não acredito, que irresponsabilidade deixarem o meu bichinho sozinho num lugar desconhecido...
- Marinalva, acorda! A anestesia fez efeito em ti, o Zapata ficou bem acordado aprontando! Gastaste o precioso líquido no teu dedinho, ó pequena Hanta! Dormiste bem no vôo?
- Sim e meu dedinho virou pedra anestesiada! E agora? O que faremos agora?
- Menos Marinalva menos! Dá um tempo!
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