Você não vai
acreditar no que aconteceu com Marinalva, ontem quando viajava de ônibus de
volta para casa.
No banco da
frente estava uma moça agarrada no seu celular, o tempo todo. Marinalva só via
aquela mãozinha e aquele dedinho que dedilhava o teclado com a maior rapidez -
refletidos no vidro da janela. Lembrou da aula de francês do “Cancer de Cerveau” . De início não entendia, pensava que “cerveau” era cervo, bambi. E as coisas
não fechavam. Era câncer no cérebro Marinalva! O texto recomendava não ficar
brincando com o celular para prevenir câncer no cérebro! Bem, a
moça da poltrona da frente não estava nem aí! Dedilhou o que deu naqueles
minutos!
De repente
Marinalva grudou o ouvido e escutou!
-Oi querido tudo bem? Estás muito cansado?
Então não vai me buscar na rodoviária! Vai para casa! E me espera com uma
comidinha. Estou com muita fome!
Marinalva não acreditou! Ela não só tinha
marido como dispunha dele! Mulher sortuda!
- Há querido! Não esquece, vai para casa e
me espera com “inhoque de batata”!
- Essa não! Não acredito! Ela mandou o
marido fazer “ inhoque de batata”, de
noite! E ele bem mandado foi cozinhar! Mas o que é isso? - Pensou Marinalva.
- Ainda existe na face da terra um espécime
dessa estirpe? Deve ser uma mutação! – Pensa.
- Será que é bom ou ruim? Estou tão confusa
que não sei o que pensar... – Remói Marinalva.
- Meu Deus! Não agüento mais. Preciso
conferir o visual da moça da poltrona da frente! Deve ser algo! De tão
poderosa!
Finalmente o
ônibus pára na rodoviária. Marinalva guarda seus pertences e espia com o canto
do olho a moça da poltrona da frente.
- Mas ela nem é tão bonita... Loura, de
cara amarrada, pálida e sem batom. Há! E lógico, tem uma barriguinha, ancas
largas, calças pretas e feias e um sapatinho de salto. Medíocre. – Pensa Marinalva.
- Já sei, o marido deve ser daqueles
obedientes, que gostam de ser mandados.
No
empurra-empurra da saída, Marinalva não dá o lugar para a moça do marido
cozinheiro.
- Porque que ela fez isso? - Se
pergunta a irmã gêmea?
- Há! já sei, é despeito imaginário... Dá
até para escrever uma crônica e mandar para o Luiz Fernando Veríssimo ler.
- Será que ele vai gostar? - Se
pergunta Marinalva.
- É preciso estar no páreo irmãzinha! -
Responde Marinal-V2
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