sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Marinalva em apuros



Marinalva quase cai em desgraça. Como aconteceu, não sabe. Deslizando para entrar na academia de ginástica, ouve de repente o raspão! Tum! Seco! Batido!
Qual delas disse aquilo? Não lembra.
- Nem olha Marinalva, desta vez não vais dar uma de boba. Ninguém viu! Limpa o teu carro e segue adiante!
Pelo barulho que deu tinha que ser pouquinho mesmo. Surpresa, Marinalva deu alguns segundos de atenção para aquela vozinha insensata. Olhou e limpou com um paninho. Foi quando ela viu as asinhas de corredor no carrinho branco. Mas n-ã-ã-ã-ã-o-o-o-o-o-o! Não acredito!
- É sim Marinalva – diz a Gêmea – bateste no carro da professora!
Bom, desta vez Marinalva fala por ela:
- Chega de dar atenção para essas tagarelas que só dizem bobagens! Desonesta, mas não tanto!
- Não acredito! É o carro da minha professora! Deus, que alvoroço! Que polvorosa!
- Como pudeste fazer isso Nalvinha? Fala a Outra que Vive Dentro Dela.
- Há não sei, mas vou resolver isso logo!
Junta daqui e dali pedacinhos de coragem e fala. Enquanto vai explicando, olha nos olhinhos azuis da professora. Eles vão aumentando de tamanho. Marinalva sabe que aquele carrinho é como o Oizinho, os dengues da professora.
- Tebi, (é o nome da professora) peço desculpas, mas bati no teu carro. Mas agora é só chamar o meu super corretor! Eu pago, com ou sem seguro! Não te preocupes. 
Marinalva só sabe que todas se calaram, da Vozinha Infame à Desonesta. A que Mora Dentro Dela e a Gêmea permaneceram mudas.
Por hoje chega. Marinalva não quer ouvir falar nem da Honesta ou da Desonesta. Não quer saber da Calhorda, da Medrosa, da Ingênua, nem dA Que Quer Agradar, muito menos dA que Quer Salvar o Mundo. Que se calem todas! Teve que agüentar a emoção no osso! Ainda bem que no dia seguinte pode dar uma choradinha no cinema.
E hoje, nossa Marinalvinha dormiu como um anjo, de boca aberta (coisa que ela sabe que faz, mas detesta), no ônibus, indo para o trabalho. Nada como um dia após o outro.

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