Marinalva quase cai em desgraça. Como aconteceu, não
sabe. Deslizando para entrar na academia de ginástica, ouve de repente o
raspão! Tum! Seco! Batido!
Qual delas disse aquilo? Não lembra.
- Nem olha Marinalva, desta vez não vais dar uma de boba.
Ninguém viu! Limpa o teu carro e segue adiante!
Pelo barulho que deu tinha que ser pouquinho mesmo.
Surpresa, Marinalva deu alguns segundos de atenção para aquela vozinha
insensata. Olhou e limpou com um paninho. Foi quando ela viu as asinhas de
corredor no carrinho branco. Mas n-ã-ã-ã-ã-o-o-o-o-o-o! Não acredito!
- É sim Marinalva – diz a Gêmea – bateste no carro da
professora!
Bom, desta vez Marinalva fala por ela:
- Chega de dar atenção para essas tagarelas que só dizem
bobagens! Desonesta, mas não tanto!
- Não acredito! É o carro da minha professora! Deus, que
alvoroço! Que polvorosa!
- Como pudeste fazer isso Nalvinha? Fala a Outra que Vive Dentro
Dela.
- Há não sei, mas vou resolver isso logo!
Junta daqui e dali pedacinhos de coragem e fala. Enquanto
vai explicando, olha nos olhinhos azuis da professora. Eles vão aumentando de
tamanho. Marinalva sabe que aquele carrinho é como o Oizinho, os dengues da
professora.
- Tebi, (é o nome da professora) peço desculpas, mas bati no
teu carro. Mas agora é só chamar o meu super corretor! Eu pago, com ou sem
seguro! Não te preocupes.
Marinalva só sabe que todas se calaram, da Vozinha Infame à Desonesta.
A que Mora Dentro Dela e a Gêmea permaneceram mudas.
Por hoje chega. Marinalva não quer ouvir falar nem da
Honesta ou da Desonesta. Não quer saber da Calhorda, da Medrosa, da Ingênua,
nem dA Que Quer Agradar, muito menos dA que Quer Salvar o Mundo. Que se calem
todas! Teve que agüentar a emoção no osso! Ainda bem que no dia seguinte pode
dar uma choradinha no cinema.
E hoje, nossa Marinalvinha dormiu como um anjo, de boca
aberta (coisa que ela sabe que faz, mas detesta), no ônibus, indo para o
trabalho. Nada como um dia após o outro.
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