segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O marido perfeito



Você não vai acreditar no que aconteceu com Marinalva, ontem quando viajava de ônibus de volta para casa.
No banco da frente estava uma moça agarrada no seu celular, o tempo todo. Marinalva só via aquela mãozinha e aquele dedinho que dedilhava o teclado com a maior rapidez - refletidos no vidro da janela. Lembrou da aula de francês do “Cancer de Cerveau” .  De início não entendia pensava que “cerveau” era cervo, bambi. E as coisas não fechavam. Era câncer no cérebro Marinalva! O texto recomendava não ficar brincando com o celular para prevenir a doença!  Bem,  a moça da poltrona da frente não estava nem aí! Dedilhou o que deu naqueles minutos!
De repente Marinalva grudou o ouvido e escutou!
-Oi querido tudo bem? Estás muito cansado? Então não vai me buscar na rodoviária! Vai para casa! E me espera com uma comidinha. Estou com muita fome!
 Marinalva não acreditou! Ela não só tinha marido como dispunha dele! Mulher sortuda!
- Há querido! Não esquece, vai para casa e me espera com “inhoque de batata”!
- Essa não! Não acredito! Ela mandou o marido fazer  “ inhoque de batata”, de noite! E ele bem mandado foi cozinhar!  Mas o que é isso? - Pensou Marinalva.
- Ainda existe na face da terra um espécime dessa estirpe? Deve ser uma mutação! – Pensa.
- Será que é bom ou ruim? Estou tão confusa que não sei o que pensar... – Remói Marinalva.
- Meu Deus! Não agüento mais. Preciso conferir o visual da moça da poltrona da frente! Deve ser algo! De tão poderosa!
Finalmente o ônibus pára na rodoviária. Marinalva guarda seus pertences e espia com o canto do olho a moça da poltrona da frente.
- Mas ela nem é tão bonita... Loura, de cara amarrada, pálida e sem batom. Há! E lógico, tem uma barriguinha, ancas largas, calças pretas e feias e um sapatinho de salto. Medíocre.  – Pensa Marinalva.
- Já sei, o marido deve ser daqueles obedientes, que gostam de ser mandados.
No empurra-empurra da saída, Marinalva não dá o lugar para a moça do marido cozinheiro.
- Porque que ela fez isso? - Se pergunta a irmã gêmea?
- Há! já sei, é despeito imaginário... Dá até para escrever uma crônica e mandar para o Luiz Fernando Veríssimo ler.
- Será que ele vai gostar? - Se pergunta Marinalva.
- É preciso estar no páreo irmãzinha! - Responde Marinal-V2 

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