sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O Botão de Pânico




Marinalva tem um carro simples, do seu tamanho. Em geral dá tudo certo com o Oizinho. Pois é batizou o carro e o considera parte da família. Ontem Nalva foi tomada pelo pânico. Enfim, botão com esse nome ela sabe que existe no banheiro do Museu Iberê Camargo.
Madrugada, apressada estaciona defronte ao portão de entrada do prédio onde mora. Aciona o controle remoto. O portão não se mexe.
- Mas como, logo ele que vivia fazendo igual ao do Ali Babá e os Quarenta Ladrões! Tipo Abre-te Sésamo! Bastava passar perto para subir sem ao menos ser necessário acionar o controle remoto! Mistério!
E agora? Marinalva toca duas, três vezes e nada! De repente, o susto, o Oizinho acende as luzes, tem vida própria, dispara o alarme, na frente da noite, do silêncio e dos vizinhos que dormem.
- Não acredito! O que foi isso?
Aciona de novo para aquela porcaria calar a boca! O controle remoto salta na mão de Marinalva, os dedinhos apertam qualquer botão, tanto faz desde que o Oizinho pare!
O portão não abre e ele continua firme berrando. Marinalva abre a porta do carro. Pior, o som agora é mais um e bem estridente!
Então, bate a porta e vai até à guarita.
Para ela o tempo para, parece que se passaram duas horas até o homenzinho sair de dentro de seu esconderijo e espiar... com cara de quem não sabe o que fazer...
Marinalva volta e como num jogral, quando o porteiro abre o portão, o carro volta a gritar e se apaga. O painel parece uma árvore de Natal cheia de figurinhas luminosas. Só depois de muito tempo, percebe que se fechar a porta o segundo som estridente se apaga!
Depois desse espetáculo de luz e som protagonizado pelo carro, pelo portão e sob a batuta de Marinalva, ela ouve a vozinha:
- Calma Marinalva, se te acalmares tudo vai dar certo!
- Bem, vou tentar, acho que o ladrão não vai se lembrar de mim e passar por aqui,  justo agora.
- Claro guria, espera um pouquinho.
E mais uma vez Marinalva aperta o “maledeto” botão, o alarme para, o motor dá o arranque, o portão se abre e nossa heroína entra.
- Aleluia! Precisava tudo isso Nalvinha?
- Pois é né? Sabe como é...
Quando Marinalva entra em casa se passaram 5 minutos além do horário habitual – Nalvinha faz tudo igual para não se atrapalhar...
- Risos.
Todas elas, desde a Gêmea até A que Desculpa a Todos, colocaram a mão na boca e riram...
- Não liga Nalvinha vamos ver se nos próximos 50 anos a gente tira esses 5 minutos do cenário de nossas vidas!
- É isso mesmo, mas podem deixar por alguns anos a menos, não me importo.
No dia seguinte testa o portão, que abre como se nunca tivesse havido algum problema. O porteiro explica, não se preocupe Dona Marinalva, o porteiro era novo e a senhora deve ter apertado o botão de pânico.
- Botão de pânico? Tinha esse botão? Não! Quer dizer que eu carrego um botão de pânico na bolsa?

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